Elogios

Você já recebeu algum elogio hoje? Mesmo que seja interno, de si mesmo?

Normalmente não percebemos quando estamos em um estado profundo de depressão, ou tristeza, e esse tipo de comportamento não existe. Mas é isso que nos acontece (além de muitas outras coisas obviamente). Olhamos no espelho e só vemos defeitos, ou ausência de qualidade. Quando era adolescente em uma feira dessas da NUBE, teve uma palestrante, se não me engano era Leila Navarro, e ela dizia:

_Quando você acorda, tem que colocar a melhor música, a que te deixa mais feliz, e ir até o banheiro como se fosse num filme, com os cabelos esvoaçantes, olhar no espelho do banheiro e dizer: Eu me amo, eu te amo, você é lindo, hoje será seu melhor dia… e por aí vai.

Aquilo me soou tão fútil, e vago, e hoje depois de talvez 12 anos ainda lembre daquilo, e me soa falso, extremamente falso, superficial. Contudo essas são minhas percepções, não define a realidade (mesmo porque na época não entendia nenhuma lógica por trás daquilo, que cabe com congruência), mas tenho de me curvar, talvez se tivesse feito todos esses dias esse “ritual” não me encontrasse na situação que me encontro. Mas tirando todos os talvez, vamos ao fatos.

Amor próprio se tem, mas também se constrói. Imagine por um segundo um cenário, onde existe a figura paterna a materna e ambos falam o tempo todo para o filho: Você não vai conseguir. Não tem capacidade. Ele ainda não entende nada. Isso é muito difícil para ele.

Ou outro cenário de bullying, em que colegas falam que determinado aluno é feio. Mesmo que ele não seja, o rótulo que ele leva vai estar com ele durante um bom tempo, e caso o mesmo não tenha nenhuma percepção daquilo que escuta, que é difícil, em dado momento aquilo vai se manifestar. Seja numa insegurança, seja num trauma para falar em público, seja sendo feio para justificar o rótulo. Enfim.

Existe o outro lado do pêndulo, o de receber elogios. Você sabe além de fazer elogios, recebe-los? Não é todo mundo que recebe, e algumas vezes por falta de experiência, e de familiaridade com isso, alguns indivíduos acabam por justificar sua nula participação. Exemplo:

_Caramba, ficou muito bom o que você fez.

Interlocutor:

_Tal pessoa me ajudou.
_Nem ficou tão bom assim.
_Você teria feito melhor.

E por aí vai. Este tipo de diálogo mostra falta de amor próprio, em simplesmente, agradecer o elogio e dizer que você é bom mesmo. Na sociedade em geral, isso é traduzido como: ele se acha demais, egocêntrico, egoísta, coisas que se tornam algumas vezes até pejorativa, e não algo a se orgulhar. Mas acredite, orgulhe-se do que é, e do que faz, caso contrário é difícil encontrar alguém que fará por você.